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O aluguel como um caminho para uma moda mais leve

O aluguel como um caminho para uma moda mais leve

Estamos sempre ligadas nas redes, acompanhando as tendências e, obviamente acompanhamos a pesquisa (e consequentes repercussões dela) que criticava o aluguel de roupas por, supostamente, ser mais prejudicial ao meio ambiente do que jogá-las fora. O argumento desenvolvido pelo estudo é bastante incompleto e não leva em consideração diversos fatores que seriam fundamentais para uma análise confiável. Detalhamos abaixo para quem quiser e tiver tempo para entender melhor:

Primeiramente, é importante ressaltar que não podemos ter uma opinião baseada em resumos, mas sim em dados, e o estudo não diz que alugar é a pior opção possível. Na verdade, a sugestão é que o aluguel deva ser recategorizado: “Devemos pensar em alugar como uma compra de segunda mão". Reunimos algumas informações importantes e convidamos você a questionar a forma como certas informações são distribuídas em massa.

Na vida real, sabemos que é muito comum nós, mulheres, comprarmos roupas e usarmos pouquíssimas vezes, ou até mesmo nunca (já vimos casos, né?). Ou seja, melhorar a taxa de utilização dos closets (comprando só o que você irá usar muito e o que não for usar muito, alugar) é um ponto. Outro ponto: se a roupa alugada não está sendo lavada, ação que foi motivo de crítica na publicação, com certeza as pessoas estarão usando e lavando alguma outra peça, certo? Sendo que um negócio de aluguel já pensa em juntar mais produtos para lavar em conjunto, em soluções de cuidado e manutenção que evitam o desperdício e processos com menor impacto possível (bom, pelo menos é o que nós fazemos). O que não dá para pensar, evidentemente, é que o aluguel será a única solução para salvar o planeta.

Partimos do princípio que as soluções são resultado de uma combinação de fatores e podem ter certeza que, ao contrário da publicação, temos feito a nossa parte para um caminho melhor, mais leve e limpo. Basta levar em consideração que alugamos um item por pelo menos dois anos e que o nosso closet tem um taxa de ocupação de, em média, 60%, enquanto em um armário normal as pessoas usam 20% das roupas 80% do tempo.*

Além disso, utilizamos embalagem reaproveitável, tendo o consumidor a opção de devolver a roupa ou acessório na mesma caixa. E mais, temos parceria com uma empresa para realizarmos a compensação de produção das caixas que utilizamos via reciclagem. Se já não fosse o bastante, ainda oferecemos a oportunidade de compra após teste via aluguel (um ponto importante é que o estudo considera que após o aluguel a peça é descartado e incinerada - e não revendida, como, pelo menos, nós fazemos). Ou seja, a pessoa tem a possibilidade de ver se a peça faz sentido para ela, evitando a compra por impulso.

De acordo com a pesquisa, o ideal é utilizar ao máximo o que temos, mas não precisa de muitos estudos para chegar a essa conclusão, né? Esse seria o mundo ideal! A realidade, no entanto, mostra que estamos muito longe desse cenário e é diante disso que o aluguel se apresenta como solução para, em conjunto com outras, chegarmos a um consumo com menos impacto. Esse processo começa láaaa atrás, na escolha de matérias primas, no processo de produção, no cuidado com as pessoas e condições de trabalho, ao calcular para evitar produção em excesso, usar as roupas ao máximo, circular o máximo possível da forma que produza menos impacto (com envio aéreo sendo o pior nessa escala), revender, reciclar quando o produto chegar no fim de um ciclo e, finalmente, virar matéria prima para iniciar uma nova "vida". Através de reparos e compartilhamento e revenda de itens de qualidades, utilizamos ao máximo tudo o que temos em nosso closet virtual, cuidamos muito bem deles, ajudamos a aumentar a taxa de utilização dos produtos e estimulamos o consumo certo e de qualidade, produtos esses que tenham ciclos longos e também gerem renda extra para quem compra.

Caso queira se aprofundar ainda mais sobre o tema, convidamos você a ler um artigo publicado no nosso site sobre o boom do comércio eletrônico, que publicamos em 2020, vivido pelo varejo durante a pandemia e suas consequências:

Além disso, é importante lembrarmos (não sabemos se é o caso e de forma alguma queremos apontar dedos, mas nosso DNA é questionador e sempre provocamos uma nova forma de pensar, mesmo para assuntos internos) que pesquisas como essa são encomendadas todos os anos, pelas mais diversas indústrias (geralmente não por players pequenos). Então, achamos interessante sempre entender quem encomendou e qual o objetivo esperado. Vide:

* A referência é um dos livros que estão em nossa biblioteca: Dress with Sense - The pratical guide to a conscious closet.

Data de publicação: 15 de julho de 2021