Black Lives Do matter

Nos últimos 15 dias, temos acompanhado uma revolução antirracista tomando conta do mundo. Em 25 de maio, George Floyd foi assassinado covardemente por um policial branco. No dia seguinte, no Brasil, a campeã da última edição do Big Brother Brasil, a Thelminha, que tem sido alvo de ataques racistas em todas as lives em que participa, participou de uma transmissão ao vivo no perfil da revista Glamour com a editora de moda Luanda Vieira, ambas sofreram ataques e a empresa se posicionou juridicamente e editorialmente, trazendo matérias de conscientização. Em 2 de junho, a hashtag #blackouttuesday invadiu perfis pessoais e marcas causando um “apagão” no Instagram para reforçar que vidas negras importam. O cansaço de séculos de opressão trouxe um levante negro e o questionamento sobre o posicionamento de momento: Quantas dessas marcas e pessoas são realmente antirracistas e quantas estavam fazendo marketing oportunista? Como forma de protestos, vimos cidades americanas serem incendiadas e lojas grandes marcas foram saqueadas ou alvos de outros tipos de protestos. No Brasil, a modelo Thayná Santos abriu seu Instagram para denúncias de marcas racistas e um perfil anônimo (@modaracista) foi criado para denunciar empresas racistas, transfóbicas ou homofóbicas. Em recente matéria, Samantha Almeida, da Ogilvy, fala sobre a importância da conscientização começar no processo de contratação. Uma vez que a equidade racial é trabalhada internamente, a comunicação se torna legítima e não ativismo vazio. A alienação, seja comunicando assuntos diversos ou fazendo silêncio, não cabe mais. A Reformation, marca cool, jovem, supostamente sustentável e queridinha das influenciadoras, foi exposta por uma ex-funcionária que afirma que funcionárias negras ou não-brancas não são promovidas devido a sua cor de pele. O chamado “novo movimento dos direitos civis” surge em meio a uma pandemia com mais de 400 mil mortos em todo o mundo. Estão todos emocionalmente sensíveis e cansados, é verdade. De uma forma ou de outra, o cansaço emocional pode ter impactado em uma onda de manifestações antirracistas, mas esse momento de grande fragilidade emocional evidencia também que nem mesmo em uma pandemia as vidas negras têm paz ou o direito de adoecer ou o direito de lutar por suas vidas. É o momento de dizer “basta!” a toda a criminalização negra que acontece desde as colonizações europeias. A moda é um reflexo da sociedade e traz em sua composição costureiras, o chão de fábrica, trabalhando arduamente. Foi Rosa Parks, costureira negra, a ativista que se tornou símbolo da luta dos direitos civis nos Estados Unidos em 1955. A diversidade no organograma de uma empresa traz ganhos comunicacionais e de linguagem, é verdade, mas também traz ganhos monetários e evita limitações causadas por grupos homogêneos, com bagagens de vida e visões semelhantes. A diversidade de experiência constrói um ambiente rico. A exclusão nos limita à ignorância e o combate ao racismo exige não só posicionamentos em redes sociais, mas também que todos aceitemos expandir nossos olhares, conhecimentos e, principalmente, atitudes. Por aqui, estamos olhamos para dentro e iniciamos nossa reflexão sobre o tema: designers, stylists, profissionais da moda e empreendedores do universo de startups, as portas estão abertas para conversa, trocas, para venderem e alugarem em nossa plataforma, montarem looks incríveis e criativos para suas produções, sonharem conosco e, principalmente, encontrar pessoas dispostas a construir um futuro onde a paleta de cores é linda e variada.

Data de publicação: 19 de junho de 2020